Queria ter ido nesse fim de semana no cinema assistir Tetro ou O Garoto de Liverpool. Nem fui assistir nem um nem outro. Aliás, no cinema não assisti nada, fiquei por casa assistindo o bem bacana Leaves of Grass, reassisti o maravilhoso Cães de Aluguel e assisti Um Dia de Cão, obra-primássa. Mas falando em cinema, acabei indo hoje, uma 2ª feira, com meu pai. Ele, por algum motivo, queria assistir Enterrado Vivo. Estranhei, o velho não é nem um pouco de filme sanguinolento ou com algum elemento de terror, como esse filme sugeria. Nos meus preconceitos, só aceitei assistir porque a equipe era espanhola, o que poderia conferir alguma característica interessante e não ter uma fórmula boba de filmes mais comerciais americanos.
Pois bem, não escapou de muita fórmula, no fim das contas. Porém seu roteiro tem uma premissa e momentos muito bons, inclusive a opção por um final nada feliz (pouco depois de sermos enganados com um final feliz). Falando assim, parece uma puta reviravolta. Não é tanto, mas a estória tem seus pontos de interesse, sem dúvida.
A premissa é o que o título já entrega, uma pessoa enterrada viva. Em um caixão madeira (ora pequeno e claustrofóbico, ora agigantado, elemento que não dava pra entender, culpa de uma direção meio confusa). E o contato com outros personagens por todo o filme é através de um celular, que vai gradativamente perdendo a bateria. Início promissor e um elemento "bomba-relógio" bem agoniantes. Os diálogos com os outros personagens são às vezes bons, às vezes médios. O ator, Ryan Reynolds, não é lá o bixo, mas passa o suficiente de emoção. Pra mim em um filme de 90min com só um ator e um cenário claustrofóbico ele não ajudou, tinha que ser alguém melhor.
Depois, se revela um contexto político, que foi bem retratado e tomando o lado de criticar as empresas privadas que atuaram e estão atuando no Iraque. O diálogo entre o protagonista e um RH da empresa em que trabalhava é, por mais exagerado que seja, revoltantemente bom.
Os eventos que vão ocorrendo durante o enredo conseguem dar um gás na trama, mas às vezes chegam ao surreal de uma cobra surgir dentro do caixão por um buraco na lateral que o protagonista por acaso não tinha visto antes. E como a cobra chegou tão baixo na terra? Ah, deixa pra lá, né?
O que não entendo é como gringo consegue gastar dinheiro. É um ator desconhecido, gente desconhecida na equipe, espanhola, música composta (bem inútil), um cenário e quase ou simplesmente nada de luz artificial. E o custo estimado?
$3,000,000. É mole? Dá pra mim que eu faço e devolvo o dinheiro.
Concluindo, filme ruim tem seu valor, pelo menos pra ver os defeitos. Curioso é ele não ter nada de propaganda e ser distribuído em um cinema de Porto Alegre.
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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
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