Mostrando postagens com marcador Robert Downey Jr. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Robert Downey Jr. Mostrar todas as postagens

domingo, 2 de maio de 2010

Ferro reforçado







Se eu definiria Alice no País das Maravilhas como uma bela bosta (um filme de merda que é embelezado à ponto de ser posto na prateleira como algo atraente), eu defino Homem de Ferro 2 como um blockbuster tão afudê que consegue colocar robôs lutando no corpo-à-corpo e com armas de fogo num cenário com bambus, roda d'água e pétalas de cerejeira voando ao vento. Poético? Por favor, não. É um bela homenagem otaku/nerd/cinéfila e como disse, é muito massa.

Essa continuação é melhor que o primeiro Homem de Ferro. Se o primeiro era um filme-pipoca com as virtudes de ser um filme de super-herói não querer se levar à sério e ter um roteiro ótimo para a composição dos personagens principais que eram muito bem interpretados, esse segundo filme tem personagens ainda mais bem construídos e uma trama bem bolada pra justificar uma cena como aquela descrita no primeiro parágrafo.
Os problemas do primeiro filme eram essencialmente no desenvolver do seu roteiro. O seu início era ótimo (já ao som de AC/DC) e muito bem adaptado para a contemporaneidade, só que o resto da história acabava enchendo linguiça e deixava de ter o mínimo de conteúdo interessante o suficiente pra prender o público nas suas cadeiras. A reviravolta era apresentada meio cedo demais e além disso, o vilão era muito fraquinho.

Aqui nós temos vilões à altura. E o mais legal é que eles não se enquadram só como os super-vilões. Sam Rockwell faz um empresário bem pé no saco e funcional. E claro, temos o já ressuscitado-do-necrotério-de Hollywood, Mickey Rourke, que fala até em russo e fica com um palito de dentes de caminhoneiro e a maravilhosa com jeitinho de vadia contida, Scarlett Johansson. Eles aparecem até menos do que eu imaginava, mas isso não foi um defeito.
O roteirista do Trovão Tropical, Justin Theroux, entrega uma história muito bacana e com os diálogos maravilhosos de Tony Stark. Como o Stan Lee queria fazer quando criou a HQ, ele nos faz gostar de um herói que tá mais pra anti-herói. O narcisismo do personagem gera momentos muito arriados. A decisão de deixar um roteirista fazer todo o trabalho funcionou melhor do que o trabalho à 8 mãos do roteiro do 1º filme.

Pra quem gosta de analisar roteiro um pouco mais a fundo, ele tem alguns defeitos. Mal se falava na unidade especial S.H.I.E.LD. e no pai do Tony Stark no 1º filme, e aqui ambos tem peso na história e na resolução de uns problemas que o Homem de Ferro encara. Erro, mas nada comprometedor.

Falar do Robert Downey Jr é meio redundante. O papel foi feito pra ele. A Gwyneth Paltrow segue fazendo uma Pepper Potts muito massa. Junto com o Tony Stark, ela era a melhor personagem no 1º filme e continua firme. O Don Cheadle substitui o Terrence Howard com competência. E a participação do Samuel L. Jacksson vale a pena.

A música é uma bela pauleira com AC/DC e The Clash muito bem usados. E a música composta teve ajuda do Tom Morello, guitarrista do Audioslave e Rage Against the Machine. Não tem erro.

Jon Fraveau tem uma direção precisa em todos os momentos e pôde explorar mais nessa continuação. Diferente de um Michael Bay, ele sabe aproveitar os (muito perfeitos) efeitos especiais. Ah, e sem 3-D falso.

Vamos a análise sociológica do filme. Ele quer dizer alguma coisa? Na real, fiquei confuso. No fim das contas não ficou claro se eles apoiam o militarismo privado ou estatal, porque todos lados fazem cagada. Como o protagonista é um felizardo sonhador americano de sucesso, acaba havendo uma defesa da propriedade privada. Além dessas questões mais dúbias, uma coisa fica clara. Homem de Ferro trabalha para e pelos americanos acima dos outros. E ele é a nova bomba nuclear que deve estar do lado dos justos e bravos, impedindo que as ameaças em potencial ataquem os EUA com medo de uma retaliação muito pior.
A retórica de paz mundial através da barganha e competição militar funcionaram de forma falhada durante a Guerra Fria toda, não há porque acreditar nela agora. Tony Stark tem um sorriso encantador, mas ele mesmo acaba falhando na sua ideia. O tal desenvolvimento tecnologico milagroso que vai salvar o mundo acaba fazendo mais armas que "tijolos para hospitais"(fala do 1º filme).

No fim das contas, é óbvio que um blockbuster americano com uma história que respinga no militarismo e política vai deixar a vista a ideologia do status-quo, etc. A questão é que, como eu falei antes, é um filme que não se leva muito a sério e por isso mesmo que é legal. Esqueça um pouco do mal que Jack Bauer e seus asseclas podem estar causando ao mundo e relaxe. Eu não diria que é um filme de ação, é um filme de aventura, como todo bom super-herói deveria ser (menos os Batmans recentes). Enquanto que Homens-Aranha e X-Men tentam ter um certo nível de seriedade e eventos épicos e acabam descambando, Iron Man só melhora.

Ah, e pra quem manja um pouco de personagens de quadrinhos, a cena depois dos créditos vale a pena. Um cliffhanger, como os gringos chamam, um gancho muito bom para um dos próximos filmes da Marvel Productions. Aliás, a decisão da Marvel fazer as suas adaptações de seus quadrinhos me parece até o momento ótima. Se mantiverem a qualidade e o espírito dos Homens de Ferro, que venham mais uns quantos.

domingo, 10 de janeiro de 2010

Elementar, meu caro espectador




Exageros dignos de Indiana Jones. Aquelas cenas de ação que quando parecem complicadas(e esdrúxulas) o suficiente, conseguem ficar ainda mais.
Outra comparação que ficou na minha cabeça foi com A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça. Nele existe uma dicotomia sombrio/infantil (como em vários outros filmes do Tim Burton). No Sherlock a parte do infantil toma ares mais cômicos. Outra comparação é aquela incerteza se as situações são sobrenaturais ou científicamente explicáveis. Claro, n'A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça isso só ocorre no início e frusta o espectador com um sobrenatural óbvio pelo 2º e 3º ato. Sherlock guarda muitas surpresas, puxando para ambos os lados constantemente.

Guy Ritchie, o diretor, é meio que um Tarantino britânico, guardando-se as proporções, óbvio. Aí temos uma maneira super estilosa para a direção e montagem. Algumas vezes exagerada. Não era preciso um corte tão estilo video-clipe nem mil e uma manipulações de imagem, colocando-se movimento e tremilicagem onde não precisa. Apesar dessas ressalvas, não é uma constante. Ritchie conduz com muita dignidade e em alguns momentos com extrema competência. Tudo isso sem perder o sotaque british.

Falando-se em estilosidade, as atuações não deixam nada a dever ao estilo da direção. Todos lindamente gimmicks, forçados e com características especiais sempre presentes. Mark Strong (excelente rosto semi-novo nas telas) vem do filme anterior do Guy Ritchie, "Rockn'Rolla" e segue detonando como o vilão Darkwood. Jude Law faz um papel em que finalmente não tem aquela cara de homem sensível que costuma apresentar. Ficou muito bom de bigode. As briguinhas com o Sherlock são impagáveis. Sherlock Holmes interpretado pelo Robert Downey Jr, que é aquele rosto-antigo-trazido-do-ostracismo-para-os-holofotes, mostra que merece o lugar que retomou em Hollywood. Desde filmes muito bons como "Kiss Kiss, Bang Bang" até medianos como o "Homem de Ferro", ele consegue criar personagens com trejeitos muito próprios e mesmerizantes. Esse seu Holmes é ao mesmo tempo muito fodão pelas habilidades de ultra-percepção em mínimos detalhes de uma cena de crime assim como no resto do tempo parece mais um esquisitão com TOC e quase autista.

Pra completar, tem uma música irlandesa linda e uma trilha à cargo do mééééstre Hans Zimmer. Fiquei boa parte do tempo com a pulga atrás de orelha me perguntando quem fez uma trilha tão envolvente e empolgante, com pontuações muito boas (10 à 0 em suavidade comparando à trilha do Avatar, do James Horner). Eu bem que achei boa demais pra não ser ele ou alguém do mesmo cacife.

Entretenimento do melhor naipe. Divertido, às vezes bobo, às vezes extremamente bem contruído e com reviravoltes complexas e impressionantes. Curta muito, elementarmente, sem moderação.